As narrativas climáticas sobre a transição de energia fóssil (petróleo, carvão e gás natural), para uma energia limpa são um campo em disputa. E o sul global, conjunto de países emergentes da América Latina e Caribe, África, Oriente Médio e Ásia – que são menos poluentes mas sentem com mais força os efeitos de mudanças climáticas- detém saberes e jeitos de contar a história da transição energética a partir de uma perspectiva renovada e que considera o comum.
Foi com essa intenção que a Rede SulxSouth, iniciativa criada pelo Instituto Procomum e da qual a instituição faz parte junto com outras 23 organizações, esteve presente e ativa na 1ª Conferência para a Transição Energética além dos Combustíveis Fósseis, que aconteceu do dia 24 a 29 de abril em Santa Marta, na Colômbia. O evento pioneiro e histórico foi convocado pelo governo colombiano e pelo governo da Holanda, reunindo representantes de diversos países para pensar em estratégias para a necessidade imperativa de abandonar os combustíveis fósseis.
Dentro da programação de palestras e plenárias, e durante eventos externos puxados pela sociedade civil, vozes múltiplas do sul global, que sentem os efeitos da extração de combustível fóssil de maneiras distintas nos territórios, tomaram para si a tarefa de reimaginar essas narrativas, como conta Glaucia Rodrigues, comunicadora, mobilizadora da Rede SulxSouth e representante do Procomum no evento.
“Representantes afrodescendentes, indígenas, mulheres, trabalhadores, petroleiros e ativistas de países como a Palestina, onde a exploração de petróleo é intensa, tiveram voz nas plenárias, trazendo diferentes formas de se pensar”, explica. “Levar este conhecimento para nossa rede muda a forma como a gente narra a transição energética. O sul global está ativo e participativo dentro dessa importante agenda!”.

Comunicação para uma nova imaginação climática
No dia 25, a Mutante, rede de comunicação independente da Colômbia que também integra a rede SulxSouth, organizou a oficina de comunicação “Círculo Mutante”, pensando no papel do jornalismo participativo na retomada de narrativas climáticas. Termos como “transição energética”, “justiça climática” e “energia limpa” foram discutidos em forma colaborativa, ganhando contornos e significativos coletivos a partir de experiências territoriais únicas.
“Repensar a transição energética para além dos combustíveis fósseis é uma tarefa titânica, mas que requer e só é possível com esforços coletivos. Quando falamos de novas fontes de energia, estamos falando na verdade de modelos novos de bem-viver”, explica María Paula Murcia Huertas, co-fundadora da Mutante.
Para além da oficina, o SulxSouth está ministrando concomitante ao evento um curso online sobre jornalismo participativo e questão climática. A expectativa das participantes presentes em Santa Marta é também sistematizar os saberes do evento para compartilhar com o resto da Rede nas próximas semanas.
Procomum e justiça climática
Junto com 23 organizações de 17 países do Sul Global (América Latina, África, Oriente Médio e Ásia), o Instituto Procomum criou a Rede SulxSouth, uma rede de ativistas dedicada a apoiar soluções inovadoras e resilientes na agenda climática, fortalecendo a colaboração entre organizações que atuam e constroem narrativas e ações de justiça climática em seus territórios.
O Procomum também atua na temática da justiça climática com o projeto Rede pelo Clima, com o objetivo de enfrentar os desafios das mudanças climáticas e promover a justiça climática na região a partir de uma rede colaborativa no território da Baixada Santista. Dos laboratórios sustentados pelo projeto, já saíram protótipos como abrigos climáticos, plataformas interativas sobre o clima com um fundo de adaptação e resiliência, e também uma metodologia de bordado e clima.
Conheça mais sobre os projetos e os protótipos no site da Rede pelo Clima e no instagram do Procomum.

